O que é a classificação NOVA e como ela classifica os alimentos
Entenda o que é a classificação NOVA, como os alimentos são divididos por nível de processamento e como usar esse sistema para fazer escolhas mais saudáveis no dia a dia.
O que é a classificação NOVA e como ela classifica os alimentos
Atualizado em Março de 2026
Por Equipe Editorial do Seja Muito Saudável
A classificação NOVA é um sistema utilizado em pesquisas de nutrição para organizar os alimentos de acordo com o grau e o propósito do processamento industrial. Esse modelo divide os alimentos em quatro grupos principais, desde alimentos in natura ou minimamente processados até formulações industriais conhecidas como ultraprocessados.
Desenvolvida por pesquisadores brasileiros, a classificação NOVA tem sido amplamente utilizada em estudos científicos e em discussões sobre padrões alimentares e saúde pública. Ela ajuda a compreender melhor como diferentes tipos de alimentos aparecem na alimentação cotidiana.
Se você quiser entender melhor o que são esses produtos industrializados, veja também o artigo que explica o que são alimentos ultraprocessados e como eles são definidos em pesquisas de nutrição.
Principais pontos
- A classificação NOVA organiza os alimentos de acordo com o grau de processamento industrial.
- Esse sistema divide os alimentos em quatro grupos principais.
- Os grupos incluem alimentos in natura, ingredientes culinários, alimentos processados e ultraprocessados.
- A classificação é amplamente utilizada em pesquisas de nutrição e saúde pública.
- Compreender esses grupos pode ajudar a interpretar melhor os padrões alimentares.
O que é a classificação NOVA
A classificação NOVA é um sistema que organiza os alimentos de acordo com o grau e o propósito do processamento industrial. Diferentemente de outros modelos que classificam alimentos apenas com base em nutrientes, esse sistema considera principalmente as etapas de processamento e os ingredientes utilizados na produção dos alimentos.
Esse modelo foi desenvolvido para ajudar pesquisadores e profissionais de saúde a compreender melhor como os diferentes tipos de alimentos aparecem nos padrões alimentares modernos. Em vez de analisar apenas calorias ou nutrientes isolados, a classificação NOVA observa como os alimentos são produzidos e preparados.
Esse sistema tem sido utilizado em diversos estudos científicos que investigam padrões alimentares e seus possíveis impactos na saúde. Ele também aparece em documentos e discussões sobre políticas de alimentação e nutrição em diferentes países.
Para compreender melhor como esses alimentos aparecem no cotidiano, veja também o artigo que explica a diferença entre alimentos naturais e ultraprocessados.
Quem criou a classificação NOVA
A classificação NOVA foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), liderado pelo epidemiologista Carlos Augusto Monteiro. O objetivo inicial do modelo era estudar mudanças nos padrões alimentares observadas em diferentes populações ao longo do tempo.
Esses pesquisadores observaram que, em muitos países, produtos industrializados altamente processados passaram a representar uma parcela crescente das calorias consumidas diariamente. Esse fenômeno levou ao desenvolvimento de um sistema de classificação que pudesse diferenciar os alimentos com base no grau de processamento.
Desde então, a classificação NOVA tem sido utilizada em diversos estudos publicados em revistas científicas internacionais e também aparece em documentos relacionados à saúde pública e nutrição.
Os quatro grupos da classificação NOVA
A classificação NOVA divide os alimentos em quatro grupos principais, de acordo com o grau de processamento industrial. Essa organização ajuda a compreender melhor as diferenças entre alimentos naturais, ingredientes culinários, alimentos processados e produtos ultraprocessados.
Os quatro grupos são apresentados a seguir.
Grupo 1 — Alimentos in natura ou minimamente processados
O primeiro grupo inclui alimentos obtidos diretamente de plantas ou animais e que passam por pouco ou nenhum processamento industrial. Esses alimentos mantêm características próximas da forma original e costumam fazer parte de preparações culinárias simples.
Exemplos comuns incluem frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, ovos e grãos integrais. Alguns desses alimentos podem passar por processos simples, como lavagem, moagem, pasteurização ou congelamento, mas ainda permanecem próximos de sua forma natural.
O infográfico abaixo apresenta exemplos de alimentos in natura ou minimamente processados.

Grupo 2 — Ingredientes culinários processados
O segundo grupo inclui ingredientes extraídos de alimentos naturais ou da natureza e utilizados principalmente para preparar e temperar refeições. Esses ingredientes normalmente não são consumidos isoladamente, mas fazem parte de preparações culinárias.
Entre os exemplos mais comuns estão óleo vegetal, manteiga, açúcar e sal. Esses produtos são utilizados em pequenas quantidades para cozinhar ou temperar alimentos.
O infográfico a seguir mostra exemplos de ingredientes culinários processados.

Grupo 3 — Alimentos processados
O terceiro grupo inclui alimentos que passam por processamento industrial relativamente simples e que geralmente combinam alimentos do grupo 1 com ingredientes do grupo 2.
Exemplos incluem queijos, pães simples, vegetais em conserva e alguns produtos fermentados. Esses alimentos costumam ter poucos ingredientes e ainda mantêm relação clara com o alimento original.
O infográfico abaixo apresenta exemplos de alimentos processados.

Grupo 4 — Alimentos ultraprocessados
O quarto grupo inclui formulações industriais produzidas a partir de ingredientes refinados, substâncias derivadas de alimentos e aditivos. Esses produtos costumam passar por diversas etapas de processamento e apresentam composição bastante diferente da encontrada em alimentos naturais.
Entre os exemplos mais comuns estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, macarrão instantâneo e refeições industrializadas prontas para consumo.
Se quiser conhecer exemplos mais detalhados, veja também o artigo com exemplos de alimentos ultraprocessados.
O infográfico abaixo apresenta exemplos de alimentos ultraprocessados.

Por que a classificação NOVA é importante
A classificação NOVA tem sido utilizada em pesquisas científicas para analisar mudanças nos padrões alimentares e compreender melhor o papel do processamento industrial na alimentação moderna. Esse sistema permite observar como diferentes tipos de alimentos aparecem na dieta das populações.
Ao diferenciar alimentos com base no grau de processamento, pesquisadores conseguem investigar relações entre padrões alimentares e diferentes indicadores de saúde. Em muitos estudos, a classificação NOVA é utilizada para avaliar o consumo de alimentos ultraprocessados em diferentes países.
Além disso, esse sistema também contribui para discussões sobre políticas de saúde pública e recomendações alimentares. Em alguns contextos, ele é utilizado para ajudar a interpretar padrões alimentares e orientar estratégias de promoção da alimentação saudável.
Para compreender melhor como esses produtos aparecem no dia a dia, veja também o artigo sobre como identificar alimentos ultraprocessados no rótulo.
Críticas e limitações da classificação NOVA
Embora a classificação NOVA seja amplamente utilizada em pesquisas de nutrição e saúde pública, alguns pesquisadores discutem suas limitações. Parte desse debate está relacionada à forma como determinados alimentos são classificados dentro dos diferentes grupos.
Alguns especialistas argumentam que certos produtos podem apresentar características intermediárias entre categorias. Outros destacam que fatores como qualidade nutricional, composição dos ingredientes e contexto alimentar também devem ser considerados na análise da alimentação.
Mesmo com essas discussões, a classificação NOVA continua sendo uma das abordagens mais utilizadas em estudos científicos que investigam o grau de processamento dos alimentos.
Como aplicar a classificação NOVA no dia a dia
Para muitas pessoas, compreender os grupos da classificação NOVA pode ajudar a interpretar melhor os alimentos presentes na rotina alimentar.
De forma geral, algumas orientações frequentemente discutidas incluem:
- priorizar alimentos do grupo 1, como frutas, legumes, grãos e preparações culinárias simples;
- utilizar ingredientes culinários do grupo 2 em quantidades moderadas durante o preparo das refeições;
- consumir alimentos processados do grupo 3 de forma equilibrada dentro do padrão alimentar;
- observar com atenção produtos do grupo 4, que incluem formulações industriais mais complexas.
Essas recomendações devem sempre considerar o contexto alimentar, cultural e individual de cada pessoa.
FAQ
O que é a classificação NOVA?
A classificação NOVA é um sistema que organiza os alimentos de acordo com o grau e o propósito do processamento industrial, dividindo-os em quatro grupos principais.
Quem criou a classificação NOVA?
O sistema foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), liderados por Carlos Augusto Monteiro.
Quantos grupos existem na classificação NOVA?
A classificação NOVA divide os alimentos em quatro grupos: alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados e alimentos ultraprocessados.
A classificação NOVA é usada em pesquisas científicas?
Sim. Esse sistema tem sido utilizado em diversos estudos científicos que investigam padrões alimentares e mudanças na alimentação das populações.
Conclusão
A classificação NOVA é um modelo que organiza os alimentos de acordo com o grau de processamento industrial. Esse sistema divide os alimentos em quatro grupos principais e tem sido amplamente utilizado em pesquisas de nutrição e saúde pública.
Compreender essa classificação pode ajudar a interpretar melhor como diferentes alimentos aparecem na alimentação cotidiana e como o processamento influencia os padrões alimentares modernos.
Referências
- Monteiro CA, Cannon G, Levy RB, et al.
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