O que são alimentos ultraprocessados? Entenda a classificação NOVA
Introdução
Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas principalmente a partir de ingredientes refinados, aditivos e substâncias derivadas de alimentos, geralmente contendo pouco ou nenhum alimento inteiro em sua composição. Eles fazem parte da classificação NOVA, um sistema que organiza os alimentos de acordo com o grau e o propósito do processamento industrial.
Principais pontos
- A classificação NOVA divide os alimentos em quatro grupos conforme o nível de processamento industrial.
- Alimentos ultraprocessados são formulações industriais com ingredientes refinados, aditivos e pouca presença de alimentos integrais.
- Exemplos comuns incluem refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados e refeições prontas.
- Nem todo alimento industrializado é ultraprocessado — muitos alimentos processados podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.
- Estudos observacionais sugerem associação entre alto consumo de ultraprocessados e piores indicadores de saúde, mas o padrão alimentar como um todo é o fator mais importante.
A classificação NOVA organiza os alimentos em quatro grupos principais conforme o grau e o propósito do processamento industrial.

O que são alimentos ultraprocessados?
Definição simples e objetiva
Os alimentos ultraprocessados são produtos alimentícios formulados industrialmente a partir de ingredientes refinados, substâncias extraídas de alimentos e diversos aditivos tecnológicos. Em geral, contêm pouco ou nenhum alimento inteiro em sua composição original.
Esse conceito faz parte da classificação NOVA, um sistema que categoriza os alimentos conforme o grau e o propósito do processamento industrial (1).
De acordo com essa abordagem, os ultraprocessados representam o grupo de alimentos que passa pelo maior nível de transformação industrial (1).
Na prática, esses produtos costumam ser desenvolvidos para oferecer alta praticidade, longa durabilidade e sabor intensificado, características que favorecem seu consumo no cotidiano moderno. Muitos deles são prontos para consumo ou exigem preparo mínimo.
É importante destacar que o termo ultraprocessado não significa apenas que o alimento foi produzido em indústria. O que define essa categoria é a combinação de ingredientes refinados, formulações complexas e uso frequente de aditivos, utilizados para modificar sabor, textura, cor ou conservação.
O que caracteriza um alimento ultraprocessado na prática
Na prática, alguns elementos costumam indicar que um produto pertence ao grupo dos ultraprocessados.
Um dos principais sinais é a presença de ingredientes que raramente são utilizados em cozinhas domésticas, como isolados de proteína, maltodextrina, óleos refinados modificados ou amidos modificados.
Esses componentes são frequentemente utilizados para ajustar textura, consistência ou estabilidade do produto.
Outro aspecto comum é o uso de aditivos alimentares, incluindo aromatizantes, corantes, emulsificantes, espessantes e intensificadores de sabor.
Esses aditivos são aprovados para uso alimentar pelas autoridades regulatórias, mas seu objetivo principal é melhorar características sensoriais e tecnológicas dos produtos.
Além disso, os ultraprocessados costumam apresentar formulações complexas com vários ingredientes, muitas vezes organizados em listas extensas nos rótulos.
Alguns exemplos frequentemente citados na literatura incluem:
- refrigerantes e bebidas adoçadas industrializadas
- salgadinhos de pacote
- biscoitos recheados
- cereais matinais altamente refinados
- refeições prontas congeladas ou instantâneas
- embutidos industrializados com múltiplos aditivos
Embora esses alimentos possam fazer parte da alimentação de muitas pessoas por motivos de praticidade ou conveniência, diversos estudos têm investigado como o consumo elevado de ultraprocessados se relaciona com padrões alimentares e indicadores de saúde ao longo do tempo (2,3).
Por esse motivo, compreender o conceito de ultraprocessamento é um passo importante para interpretar recomendações presentes em guias alimentares e em pesquisas científicas sobre alimentação e saúde.
O que é a classificação NOVA?
Como a NOVA organiza os alimentos
A classificação NOVA é um sistema desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo para categorizar os alimentos de acordo com o grau e o propósito do processamento industrial (1).
Diferentemente de abordagens que classificam alimentos apenas pelo teor de nutrientes — como gordura, açúcar ou calorias —, a NOVA considera também como o alimento foi produzido e transformado antes de chegar ao consumidor.
Nesse modelo, o processamento não é necessariamente visto como algo negativo. Diversos métodos tradicionais de processamento, como cozinhar, secar, fermentar ou pasteurizar, fazem parte da alimentação humana há séculos e podem contribuir para segurança alimentar, conservação e praticidade.
O objetivo da classificação NOVA é ajudar pesquisadores, profissionais de saúde e consumidores a compreender melhor como diferentes níveis de processamento podem influenciar os padrões alimentares.
Com base nesse critério, os alimentos são organizados em quatro grupos principais, que vão desde alimentos in natura até formulações industriais altamente processadas.
Os quatro grupos da classificação NOVA
A classificação NOVA divide os alimentos nas seguintes categorias principais (1):
1. Alimentos in natura ou minimamente processados
São alimentos obtidos diretamente de plantas ou animais, ou que passaram por processos mínimos para conservação ou preparo.
Exemplos incluem frutas, legumes, grãos, ovos, leite e carnes frescas.
2. Ingredientes culinários processados
São substâncias extraídas de alimentos ou da natureza utilizadas para cozinhar e preparar refeições.
Exemplos incluem óleos vegetais, manteiga, açúcar e sal.
3. Alimentos processados
São produtos fabricados a partir da adição de sal, açúcar ou outros ingredientes culinários a alimentos naturais.
O objetivo geralmente é aumentar a durabilidade ou modificar o sabor.
Exemplos incluem pães tradicionais, queijos, conservas e vegetais em salmoura.
4. Alimentos ultraprocessados
São formulações industriais compostas principalmente por ingredientes refinados, substâncias derivadas de alimentos e aditivos tecnológicos, frequentemente contendo pouco ou nenhum alimento intacto em sua composição original.
Essa estrutura permite analisar não apenas o que comemos, mas também como os alimentos foram produzidos, oferecendo uma perspectiva mais ampla sobre padrões alimentares modernos.
Nos próximos tópicos, veremos com mais detalhes as diferenças entre esses grupos e como identificar exemplos de cada categoria no dia a dia.
Diferença entre alimentos in natura, processados e ultraprocessados
A classificação NOVA organiza os alimentos em quatro grupos que refletem diferentes níveis de processamento industrial.
Entender essas categorias ajuda a compreender melhor como os alimentos são transformados antes de chegar ao prato e por que alguns deles são frequentemente discutidos em pesquisas sobre alimentação e saúde (1).
Embora muitas vezes se fale em “alimentos naturais” ou “industrializados”, a realidade é mais complexa. Diversos alimentos passam por algum tipo de processamento, e muitos desses processos são tradicionais e amplamente utilizados há séculos.

Alimentos in natura e minimamente processados
Os alimentos in natura são obtidos diretamente de plantas ou animais e consumidos sem alterações significativas após sua coleta ou produção.
Exemplos incluem frutas, verduras, legumes, ovos, leite e carnes frescas.
Já os alimentos minimamente processados passam por processos simples com o objetivo de facilitar o armazenamento ou o preparo, sem adicionar ingredientes que modifiquem substancialmente sua composição nutricional.
Entre esses processos estão lavagem, moagem, refrigeração, congelamento ou pasteurização.
Alguns exemplos incluem:
- arroz e feijão secos
- vegetais congelados
- leite pasteurizado
- grãos e cereais integrais
- castanhas e sementes
Esses alimentos costumam formar a base de muitos padrões alimentares tradicionalmente associados a dietas equilibradas.
Ingredientes culinários processados
O segundo grupo da classificação NOVA inclui ingredientes culinários processados, que são substâncias extraídas de alimentos naturais ou obtidas diretamente da natureza.
Eles não são geralmente consumidos sozinhos, mas utilizados para temperar, cozinhar e preparar refeições.
Exemplos comuns incluem:
- óleos vegetais
- manteiga
- açúcar
- sal
Quando usados em quantidades adequadas dentro de preparações culinárias, esses ingredientes ajudam a tornar os alimentos mais saborosos e fazem parte de diversas tradições gastronômicas.
Alimentos processados
Os alimentos processados são produzidos a partir da combinação de alimentos naturais com ingredientes culinários, geralmente para aumentar a durabilidade ou modificar o sabor.
Em muitos casos, esses produtos possuem poucos ingredientes e processos relativamente simples.
Exemplos incluem:
- pães tradicionais feitos com farinha, água, fermento e sal
- queijos
- vegetais em conserva
- frutas em calda
- peixes enlatados
Esses alimentos ainda mantêm uma relação clara com o alimento original utilizado em sua produção.
Alimentos ultraprocessados
Os alimentos ultraprocessados representam o nível mais elevado de transformação industrial dentro da classificação NOVA (1).
Eles são geralmente formulados a partir de ingredientes refinados, extratos de alimentos e aditivos tecnológicos, combinados em formulações complexas desenvolvidas pela indústria alimentícia.
Esses produtos costumam apresentar características como:
- listas extensas de ingredientes
- presença de aromatizantes, corantes e emulsificantes
- uso de substâncias refinadas ou modificadas
- alta praticidade e longa durabilidade
Entre os exemplos frequentemente citados estão:
- refrigerantes e bebidas adoçadas industrializadas
- salgadinhos de pacote
- biscoitos recheados
- cereais matinais altamente refinados
- refeições prontas congeladas ou instantâneas
Compreender essas diferenças ajuda a interpretar recomendações presentes em guias alimentares e pesquisas científicas que analisam como o grau de processamento pode influenciar os padrões alimentares ao longo do tempo.
Exemplos de alimentos ultraprocessados no dia a dia
Na prática, muitos alimentos ultraprocessados fazem parte do cotidiano de diversas pessoas. Esses produtos são frequentemente escolhidos por sua praticidade, sabor marcante e longa duração, características que facilitam o consumo em rotinas mais aceleradas.
De acordo com a classificação NOVA, esses alimentos são formulações industriais compostas por ingredientes refinados, substâncias derivadas de alimentos e aditivos tecnológicos utilizados para modificar sabor, textura, cor ou conservação (1).
A seguir estão alguns exemplos comuns que ajudam a entender como os ultraprocessados aparecem no dia a dia.

Exemplos comuns no café da manhã e lanches
Alguns alimentos ultraprocessados são frequentemente consumidos no café da manhã ou em lanches rápidos, especialmente por serem práticos e prontos para consumo.
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
- cereais matinais altamente refinados, muitas vezes com adição de açúcar e aromatizantes
- biscoitos recheados ou wafers industrializados
- bolos prontos embalados
- barras de cereais com diversos aditivos e xaropes
- pães de forma industrializados com emulsificantes e conservantes
Esses produtos costumam ter formulações que priorizam textura, sabor e durabilidade, fatores importantes para a indústria alimentar.
Exemplos em bebidas, refeições prontas e sobremesas
Outros ultraprocessados aparecem com frequência em bebidas e refeições prontas.
Alguns exemplos incluem:
- refrigerantes e bebidas adoçadas industrializadas
- bebidas lácteas aromatizadas
- macarrão instantâneo
- refeições congeladas prontas para aquecimento
- sobremesas industrializadas, como pudins e mousses prontos
- salgadinhos de pacote
Esses alimentos são geralmente desenvolvidos para oferecer conveniência e padronização de sabor, permitindo preparo rápido ou consumo imediato.
Nem todo alimento industrializado é ultraprocessado
Uma dúvida comum é acreditar que todo alimento produzido pela indústria alimentícia seja automaticamente ultraprocessado, o que não é necessariamente correto.
Muitos alimentos industrializados podem se enquadrar em outras categorias da classificação NOVA, como alimentos minimamente processados ou processados.
Exemplos incluem:
- leite pasteurizado
- vegetais congelados
- queijos
- conservas simples
Por esse motivo, compreender a classificação NOVA ajuda a diferenciar melhor o tipo de processamento envolvido na produção de cada alimento, evitando generalizações ou interpretações simplificadas.
Nos próximos tópicos, veremos por que os alimentos ultraprocessados se tornaram tão presentes na alimentação moderna e como isso se relaciona com mudanças nos padrões alimentares ao longo do tempo.
Por que os alimentos ultraprocessados são tão consumidos?
Nas últimas décadas, os alimentos ultraprocessados passaram a ocupar uma parcela crescente da alimentação em muitos países.
Diversos fatores contribuem para esse cenário, incluindo mudanças no estilo de vida, transformações no sistema alimentar e maior disponibilidade de produtos industrializados no mercado.
Esses alimentos costumam ser desenvolvidos para oferecer conveniência, sabor intenso e facilidade de consumo, características que podem influenciar as escolhas alimentares no dia a dia.
Palatabilidade, praticidade e marketing
Um dos fatores que contribuem para o consumo de ultraprocessados é a palatabilidade, ou seja, a combinação de sabores, aromas e texturas que torna o alimento agradável ao paladar.
Produtos ultraprocessados frequentemente utilizam combinações específicas de açúcar, gordura e sal, além de aromatizantes e realçadores de sabor, com o objetivo de criar experiências sensoriais consistentes e atrativas.
Outro aspecto importante é a praticidade. Muitos desses produtos são prontos para consumo ou exigem preparo mínimo, o que pode facilitar sua inclusão na rotina de pessoas com pouco tempo disponível para cozinhar.
Além disso, estratégias de marketing e embalagem também desempenham um papel relevante. Alimentos ultraprocessados costumam ser amplamente divulgados em campanhas publicitárias e apresentados em embalagens que destacam conveniência, sabor ou benefícios percebidos.
Rotina, preço, conveniência e ambiente alimentar
O consumo de ultraprocessados também está relacionado ao chamado ambiente alimentar, que inclui fatores como disponibilidade de alimentos, preços, hábitos culturais e acesso a diferentes tipos de produtos.
Em muitos contextos urbanos, alimentos prontos ou semiprontos são facilmente encontrados em supermercados, lojas de conveniência e serviços de entrega, o que pode favorecer sua escolha no cotidiano.
Além disso, a preparação de refeições com alimentos frescos pode exigir mais tempo, planejamento e habilidades culinárias, fatores que nem sempre estão presentes na rotina de todas as pessoas.
Por esses motivos, pesquisadores frequentemente analisam o consumo de ultraprocessados dentro de um contexto mais amplo, considerando não apenas características dos alimentos, mas também os padrões alimentares e o ambiente em que as escolhas alimentares são feitas.
No próximo tópico, veremos o que a literatura científica tem investigado sobre a relação entre o consumo de ultraprocessados e diferentes indicadores de saúde.
Quais são os possíveis impactos dos ultraprocessados na saúde?
Nos últimos anos, diversos estudos têm investigado como o consumo de alimentos ultraprocessados pode se relacionar com diferentes indicadores de saúde.
Grande parte dessas pesquisas utiliza estudos observacionais, que analisam padrões alimentares em grandes populações ao longo do tempo (2,3).
Esses estudos procuram identificar associações entre hábitos alimentares e desfechos de saúde, contribuindo para compreender melhor como diferentes padrões de alimentação podem influenciar o bem-estar e o risco de doenças ao longo da vida.
O que os estudos observacionais têm mostrado
Algumas pesquisas epidemiológicas encontraram associação entre maior consumo de alimentos ultraprocessados e diferentes indicadores de saúde, incluindo alterações metabólicas, ganho de peso ao longo do tempo e maior risco de algumas doenças crônicas (2,3).
Essas associações têm sido observadas em estudos conduzidos em diferentes países e populações, o que despertou interesse crescente da comunidade científica em compreender melhor o papel desses alimentos dentro dos padrões alimentares modernos.
Uma das hipóteses discutidas por pesquisadores é que dietas com maior presença de ultraprocessados podem apresentar características nutricionais específicas, como maior densidade energética, maior teor de açúcares adicionados e menor presença de fibras, dependendo do conjunto de alimentos consumidos.
Por que associação não significa causa isolada
Embora muitos estudos tenham encontrado associações entre consumo elevado de ultraprocessados e alguns indicadores de saúde, é importante considerar que estudos observacionais não demonstram causalidade direta.
Isso ocorre porque o consumo desses alimentos pode estar relacionado a diversos outros fatores do estilo de vida, como nível de atividade física, padrão alimentar geral, contexto socioeconômico e hábitos comportamentais.
Por esse motivo, pesquisadores frequentemente analisam esses resultados com cautela, considerando a complexidade dos fatores envolvidos na saúde humana.
O padrão alimentar como contexto mais importante
Diversos especialistas em nutrição destacam que o impacto de alimentos específicos deve ser interpretado dentro de um padrão alimentar global, e não de forma isolada.
Padrões alimentares tradicionalmente associados a melhores indicadores de saúde costumam incluir maior consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e alimentos minimamente processados, enquanto o consumo de ultraprocessados tende a ser menor nesses contextos.
Assim, muitos guias alimentares e recomendações nutricionais enfatizam a importância de observar o conjunto da alimentação ao longo do tempo, em vez de focar exclusivamente em um único tipo de alimento ou ingrediente.
Como identificar um alimento ultraprocessado no rótulo
Uma forma prática de reconhecer alimentos ultraprocessados é observar atentamente o rótulo e a lista de ingredientes do produto.
Embora a classificação NOVA não esteja indicada diretamente nas embalagens, algumas características comuns podem ajudar o consumidor a identificar o grau de processamento envolvido.
A leitura dos rótulos permite compreender melhor quais ingredientes compõem o produto e qual o nível de transformação industrial presente na formulação.
Além dos exemplos práticos, alguns sinais presentes na lista de ingredientes podem ajudar a reconhecer alimentos ultraprocessados.

Sinais práticos na lista de ingredientes
Um dos primeiros aspectos a observar é o tamanho e a complexidade da lista de ingredientes. Alimentos ultraprocessados costumam apresentar listas extensas, muitas vezes com ingredientes que não são utilizados em preparações culinárias tradicionais.
Outro ponto importante é a presença de ingredientes refinados ou derivados de alimentos, que podem ser utilizados para modificar textura, sabor ou estabilidade do produto.
Alguns exemplos incluem:
- proteínas isoladas ou hidrolisadas
- amidos modificados
- óleos vegetais refinados
- maltodextrina ou xaropes de glicose
- concentrados de proteína
Esses ingredientes são frequentemente utilizados na formulação de produtos industriais para ajustar características tecnológicas do alimento.
Termos comuns que merecem atenção
Outro elemento que pode indicar maior nível de processamento é a presença de aditivos alimentares.
Essas substâncias são utilizadas para diversas finalidades tecnológicas, como conservação, estabilização ou intensificação de sabor.
Entre os aditivos frequentemente encontrados em ultraprocessados estão:
- aromatizantes
- corantes
- emulsificantes
- espessantes
- realçadores de sabor
- estabilizantes
É importante destacar que esses aditivos são aprovados para uso alimentar pelas autoridades regulatórias e utilizados dentro de limites de segurança estabelecidos.
O que avaliar além de um único ingrediente
Identificar um alimento ultraprocessado não depende necessariamente da presença de um único ingrediente específico, mas sim do conjunto da formulação e do grau de processamento envolvido.
Por exemplo, um produto pode conter um ou dois aditivos e ainda assim não se enquadrar na categoria de ultraprocessado, dependendo de sua composição e do tipo de processamento utilizado.
Por isso, muitos especialistas sugerem observar o contexto geral do alimento, incluindo:
- número total de ingredientes
- tipo de ingredientes utilizados
- grau de transformação industrial
- finalidade do produto (pronto para consumo, formulação industrial complexa, etc.)
Com prática e familiaridade com os rótulos, torna-se mais fácil reconhecer diferentes níveis de processamento e compreender melhor como os alimentos se encaixam na classificação NOVA.
Como reduzir ultraprocessados sem radicalismo
Para muitas pessoas, alimentos ultraprocessados fazem parte da rotina por motivos como praticidade, custo ou disponibilidade.
Por isso, diversas recomendações nutricionais enfatizam que mudanças alimentares tendem a ser mais sustentáveis quando são graduais e adaptadas à realidade de cada pessoa.
Em vez de focar em restrições rígidas, muitas abordagens baseadas em evidências priorizam a melhoria progressiva do padrão alimentar ao longo do tempo.
Trocas possíveis no dia a dia
Uma estratégia comum é substituir gradualmente alguns produtos ultraprocessados por alimentos com menor grau de processamento, especialmente em refeições que fazem parte da rotina diária.
Alguns exemplos incluem:
- trocar bebidas adoçadas industrializadas por água, água com gás ou bebidas sem adição de açúcar
- substituir salgadinhos de pacote por castanhas, frutas ou preparações simples
- optar por refeições preparadas com alimentos frescos ou minimamente processados sempre que possível
- incluir mais frutas, verduras e legumes nas refeições principais
Essas mudanças não precisam acontecer de forma imediata ou completa. Pequenos ajustes consistentes ao longo do tempo podem contribuir para melhorar o equilíbrio geral da alimentação.
Estratégias realistas para uma alimentação mais equilibrada
Algumas estratégias práticas podem ajudar a reduzir o consumo frequente de ultraprocessados sem tornar a alimentação excessivamente restritiva:
- planejar refeições simples ao longo da semana
- manter alimentos básicos disponíveis em casa, como frutas, legumes e grãos
- aprender preparações culinárias simples e rápidas
- priorizar alimentos que exigem menos processamento industrial
Essas práticas podem facilitar escolhas alimentares mais variadas e ajudar a construir um padrão alimentar mais equilibrado no dia a dia.
Quando o foco deve ser o padrão alimentar, e não a perfeição
Diversos especialistas em nutrição destacam que o impacto da alimentação na saúde está mais relacionado ao padrão alimentar ao longo do tempo do que ao consumo ocasional de um alimento específico.
Isso significa que uma alimentação equilibrada pode incluir diferentes tipos de alimentos, desde que o conjunto das escolhas alimentares seja predominantemente composto por alimentos in natura ou minimamente processados.
Por esse motivo, muitas recomendações nutricionais enfatizam a importância de flexibilidade, variedade e equilíbrio, evitando abordagens extremas que possam tornar a alimentação difícil de manter no longo prazo.
FAQ — Perguntas frequentes sobre alimentos ultraprocessados
Todo alimento industrializado é ultraprocessado?
Não. Nem todo alimento produzido pela indústria alimentícia é considerado ultraprocessado. Muitos alimentos industrializados pertencem a outras categorias da classificação NOVA, como alimentos minimamente processados ou processados.
Exemplos incluem leite pasteurizado, vegetais congelados, queijos e conservas simples. O que define um ultraprocessado é o grau de transformação industrial e a formulação do produto (1).
Pão de forma é sempre ultraprocessado?
Depende da formulação. Alguns pães industrializados possuem poucos ingredientes básicos, como farinha, água, fermento e sal, e podem se enquadrar como alimentos processados.
No entanto, muitas versões comerciais incluem emulsificantes, conservantes e outros aditivos, o que pode aproximá-las da categoria de ultraprocessados. A lista de ingredientes no rótulo é o melhor indicador para avaliar cada produto.
Iogurte é processado ou ultraprocessado?
Iogurtes naturais feitos apenas com leite e fermentos lácteos geralmente são considerados alimentos processados dentro da classificação NOVA. Já versões com diversos aditivos, aromatizantes, espessantes ou grandes quantidades de açúcar podem ser classificadas como ultraprocessadas, dependendo da composição do produto.
Comer ultraprocessados de vez em quando faz mal?
A maioria das recomendações nutricionais enfatiza que o impacto da alimentação depende principalmente do padrão alimentar global ao longo do tempo.
O consumo ocasional de alimentos ultraprocessados pode fazer parte da rotina de muitas pessoas, mas padrões alimentares que priorizam alimentos in natura ou minimamente processados costumam estar associados a melhores indicadores de saúde em estudos populacionais (2,3).
Conclusão
Os alimentos ultraprocessados fazem parte de uma categoria específica da classificação NOVA, que organiza os alimentos de acordo com o grau e o propósito do processamento industrial.
Compreender essa classificação pode ajudar a interpretar melhor pesquisas científicas e recomendações presentes em guias alimentares.
Mais do que focar em um único alimento, muitas orientações nutricionais destacam a importância de observar o padrão alimentar como um todo, priorizando variedade, equilíbrio e presença predominante de alimentos minimamente processados.
Leia também
Para entender como esse tema se encaixa em um padrão alimentar mais amplo, veja também nosso guia completo:
Alimentação saudável baseada em evidências científicas
Referências
- Monteiro CA, Cannon G, Levy RB et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutrition. 2019.
DOI: https://doi.org/10.1017/S1368980018003762 - Srour B et al. Ultra-processed food intake and risk of cardiovascular disease: prospective cohort study. BMJ. 2019.
DOI: https://doi.org/10.1136/bmj.l1451 - Lane MM et al. Ultra-processed food consumption and health outcomes: a systematic review and meta-analysis. Nutrients. 2021.
DOI: https://doi.org/10.3390/nu13113909


