Saúde

HPV: o que é, sintomas, transmissão, tratamento e prevenção

HPV: o que é, sintomas, transmissão, tratamento e prevenção

Última Atualização em 31/08/26 by admin

HPV: o que é, sintomas, transmissão, tratamento e prevenção

O HPV, sigla para papilomavírus humano, é um vírus muito comum que pode infectar a pele e as mucosas. A transmissão ocorre principalmente pelo contato íntimo e sexual, e muitas pessoas entram em contato com o vírus sem perceber, porque a infecção frequentemente não provoca sinais ou sintomas.


Atualizado em Agosto de 2026
Por Equipe Editorial do Seja Muito Saudável


Existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns estão relacionados principalmente ao aparecimento de verrugas anogenitais, enquanto determinados tipos de alto risco oncogênico podem provocar alterações celulares que, quando persistem, estão associadas ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Isso não significa que uma pessoa com HPV desenvolverá câncer. Na maioria dos casos, a infecção é controlada espontaneamente pelo organismo. O maior cuidado está relacionado principalmente às infecções persistentes por determinados tipos de HPV e às alterações que elas podem provocar ao longo do tempo.

Vacinação, uso de preservativos e rastreamento do câncer do colo do útero quando indicado estão entre as principais estratégias de prevenção e cuidado. Entender como o HPV é transmitido, reconhecer suas possíveis manifestações e saber quando procurar avaliação profissional também ajuda a reduzir desinformação, medo e estigma.

Neste guia, você entenderá o que é HPV, como ocorre a transmissão, quais são os principais tipos e sintomas, qual é a relação com o câncer, como funcionam o diagnóstico e o tratamento e quais medidas ajudam na prevenção.

Informação, vacinação e acompanhamento adequado são partes importantes da prevenção das complicações relacionadas ao HPV.

Infográfico educativo sobre HPV, transmissão, sintomas, prevenção e tratamento
O HPV é uma infecção muito comum que pode ocorrer sem sintomas e pode ser prevenida em grande parte por estratégias como a vacinação.

Resumo rápido

  • HPV é a sigla utilizada para o papilomavírus humano, um grupo que reúne mais de 200 tipos de vírus.
  • A transmissão ocorre principalmente pelo contato íntimo e sexual e pelo contato direto com pele ou mucosa infectada.
  • A maioria das pessoas com HPV não apresenta sinais ou sintomas.
  • Alguns tipos podem causar verrugas anogenitais, enquanto outros são classificados como de alto risco oncogênico.
  • Ter HPV não significa ter câncer. Na maioria das pessoas, a infecção é controlada espontaneamente pelo organismo.
  • A vacinação é uma das principais formas de prevenção. Preservativos reduzem o risco de transmissão, mas não oferecem proteção completa contra o HPV.
  • O rastreamento adequado permite identificar situações relacionadas ao risco de câncer do colo do útero antes que evoluam para formas mais graves.

Principais pontos sobre o HPV

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Como frequentemente não provoca sintomas, uma pessoa pode ter contato com o vírus, permanecer sem verrugas ou outras manifestações perceptíveis e ainda assim transmitir a infecção.

Outro ponto importante é que existem diferentes tipos de HPV e eles não apresentam o mesmo comportamento. Alguns estão associados principalmente a verrugas, enquanto determinados tipos oncogênicos podem causar alterações celulares quando a infecção persiste.

A relação entre HPV e câncer também precisa ser compreendida sem alarmismo. Ter uma infecção por HPV não significa que a pessoa desenvolverá câncer. A maioria das infecções apresenta resolução espontânea, enquanto uma parcela menor persiste e pode exigir acompanhamento.

Vale lembrar

HPV é comum, muitas vezes não causa sintomas e, na maioria dos casos, a infecção é controlada pelo próprio organismo. A principal preocupação está relacionada à persistência de determinados tipos de alto risco e às alterações celulares que podem ocorrer ao longo do tempo.

O que é HPV?

HPV significa papilomavírus humano. O nome é utilizado para um grupo com mais de 200 tipos conhecidos de vírus capazes de infectar a pele e as mucosas.

Alguns tipos de HPV têm preferência por determinadas regiões do organismo e podem infectar áreas genitais, anais e da boca e garganta. Dependendo do tipo viral e da resposta do organismo, a infecção pode desaparecer sem provocar qualquer manifestação perceptível, permanecer sem sintomas ou causar alterações como verrugas e lesões celulares.

É importante diferenciar infecção por HPV das doenças ou alterações que eventualmente podem ser provocadas pelo vírus. Muitas pessoas têm contato com HPV sem desenvolver verrugas, lesões precursoras ou câncer.

Por isso, um resultado indicando presença de HPV não deve ser interpretado isoladamente como diagnóstico de câncer ou de uma doença grave. O significado do resultado depende de fatores como o tipo viral identificado, persistência da infecção, presença de alterações celulares, idade, condições de saúde e avaliação profissional.

Visão do especialista

Uma das informações mais importantes para compreender o HPV é separar três situações: ter contato com o vírus, apresentar uma infecção persistente e desenvolver uma doença relacionada ao HPV são condições diferentes. A maioria das infecções não evolui para câncer.

HPV é uma infecção sexualmente transmissível?

Sim. O HPV é considerado uma infecção sexualmente transmissível (IST) e sua principal forma de transmissão ocorre pelo contato íntimo ou sexual com pele ou mucosa infectada.

Atualmente, utiliza-se a expressão IST em vez da antiga denominação DST, ou doença sexualmente transmissível. Essa mudança ajuda a destacar que uma pessoa pode apresentar uma infecção e transmiti-la mesmo sem desenvolver sinais ou sintomas de uma doença.

Esse conceito é especialmente importante no HPV, porque a infecção frequentemente permanece assintomática. Assim, não é possível saber se alguém tem HPV apenas observando a presença ou ausência de verrugas.

Boa prática

Não espere o aparecimento de verrugas para cuidar da saúde sexual. Vacinação quando indicada, uso de preservativos, consultas de rotina e participação nos programas de rastreamento recomendados são medidas importantes mesmo para pessoas sem sintomas.

Como o HPV é transmitido?

A transmissão do HPV ocorre pelo contato direto com pele ou mucosa infectada. A principal via é sexual, incluindo contatos genital-genital, oral-genital e manual-genital.

Isso significa que não é necessário haver penetração vaginal ou anal para ocorrer transmissão. O contato íntimo entre regiões onde o vírus está presente pode ser suficiente.

Como muitas pessoas não apresentam sinais ou sintomas, é possível transmitir HPV sem saber que existe uma infecção.

Contato sexual e contato pele com pele

Diferentemente de algumas outras IST, nas quais determinados fluidos corporais têm papel central na transmissão, o HPV pode ser transmitido pelo contato direto entre pele e mucosas das regiões envolvidas.

Por esse motivo, práticas sexuais sem penetração também podem permitir a transmissão quando existe contato com uma região infectada.

Essa característica ajuda a explicar por que os preservativos, embora sejam muito importantes e reduzam o risco, não conseguem impedir todas as transmissões de HPV: algumas áreas potencialmente infectadas podem permanecer descobertas.

HPV pode ser transmitido sem sintomas?

Sim. Uma pessoa pode transmitir HPV mesmo sem apresentar verrugas ou qualquer outro sinal perceptível.

A infecção pode permanecer assintomática por meses ou anos. Também podem existir alterações subclínicas, ou seja, que não são visíveis a olho nu.

Por isso, geralmente não é possível determinar apenas pela presença de uma lesão quando a infecção ocorreu ou qual parceria transmitiu o vírus. Essa característica é particularmente importante para interpretar corretamente um diagnóstico realizado durante um relacionamento.

Importante

A ausência de verrugas não significa ausência de HPV. Muitas pessoas infectadas não apresentam qualquer manifestação perceptível e podem desconhecer que tiveram contato com o vírus.

Preservativo impede completamente a transmissão do HPV?

Não. O uso correto de preservativos internos ou externos é uma medida importante de prevenção e ajuda a reduzir o risco de transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis.

No entanto, a proteção contra HPV não é completa porque o vírus pode estar presente em regiões da pele que permanecem descobertas pelo preservativo, como determinadas áreas da vulva, região pubiana, períneo ou bolsa escrotal.

Isso não significa que o preservativo seja pouco útil. Pelo contrário: ele continua sendo uma estratégia importante de cuidado com a saúde sexual e também ajuda na prevenção de outras IST.

Em resumo

  • O HPV é transmitido principalmente pelo contato íntimo e sexual.
  • Não é necessário haver penetração para ocorrer transmissão.
  • Uma pessoa sem verrugas ou outros sintomas pode transmitir o vírus.
  • Preservativos reduzem o risco, mas não oferecem proteção completa contra HPV.
  • A vacinação é uma estratégia fundamental de prevenção e será detalhada mais adiante neste guia.

HPV pode ser transmitido durante o parto?

A transmissão do HPV durante o parto pode ocorrer, embora a principal forma de transmissão da infecção seja sexual. Por isso, essa possibilidade não deve ser interpretada como uma via de transmissão tão frequente quanto o contato íntimo entre pessoas.

Gestantes com diagnóstico de HPV ou presença de lesões devem receber acompanhamento pré-natal e seguir as orientações da equipe de saúde. A presença da infecção, isoladamente, não deve levar a decisões sobre a via de parto sem avaliação obstétrica individualizada.

Visão do especialista

O HPV pode ser transmitido mesmo quando não existem sinais visíveis. Por essa razão, descobrir a infecção meses ou anos depois não permite estabelecer com segurança quando ocorreu a transmissão. Essa característica é importante tanto do ponto de vista médico quanto para evitar conclusões precipitadas sobre relacionamentos.

Quais são os tipos de HPV?

Existem mais de 200 tipos conhecidos de papilomavírus humano. Eles são identificados por números e apresentam características diferentes. Alguns infectam principalmente a pele, enquanto outros têm maior afinidade pelas mucosas das regiões genital, anal e da boca e garganta.

Do ponto de vista clínico, os tipos que infectam a região anogenital costumam ser agrupados conforme seu potencial de provocar alterações celulares relacionadas ao câncer. Assim, é comum encontrar as classificações HPV de baixo risco oncogênico e HPV de alto risco oncogênico.

Essa classificação não significa que toda pessoa infectada por um HPV de alto risco desenvolverá câncer. Ela indica que determinados tipos apresentam maior capacidade de participar do desenvolvimento de alterações celulares quando a infecção persiste ao longo do tempo.

HPV de baixo risco

Os tipos classificados como de baixo risco oncogênico não estão entre os principais responsáveis pelos cânceres relacionados ao HPV. Alguns deles podem provocar verrugas anogenitais, também conhecidas como condilomas.

Os tipos HPV 6 e HPV 11 estão entre os exemplos mais conhecidos desse grupo e estão associados à grande maioria das verrugas anogenitais.

Apesar da denominação “baixo risco”, as manifestações causadas por esses tipos podem provocar desconforto físico, preocupação, impacto emocional e necessidade de tratamento. Portanto, “baixo risco” refere-se principalmente ao potencial oncogênico e não significa que a infecção deva ser ignorada.

HPV de alto risco oncogênico

Alguns tipos de HPV são classificados como de alto risco oncogênico porque podem provocar alterações celulares que, quando persistentes e não identificadas ou acompanhadas adequadamente, estão relacionadas ao desenvolvimento de determinados cânceres.

Entre os tipos de alto risco, HPV 16 e HPV 18 têm especial importância por sua forte associação com o câncer do colo do útero. Outros tipos oncogênicos também podem participar do desenvolvimento de lesões precursoras e câncer.

É importante, porém, interpretar corretamente a expressão “alto risco”. Um teste positivo para HPV oncogênico não significa diagnóstico de câncer. Na maioria das pessoas, inclusive infecções por tipos de alto risco podem ser controladas espontaneamente pelo organismo.

Vale lembrar

HPV de alto risco não significa câncer. O principal motivo de preocupação é a persistência da infecção por determinados tipos oncogênicos e o desenvolvimento de alterações celulares ao longo do tempo. É justamente por isso que vacinação e rastreamento adequado são tão importantes.

Qual é a diferença entre HPV 6 e 11 e HPV 16 e 18?

Os números identificam diferentes tipos do vírus e ajudam a compreender seu comportamento clínico predominante.

Característica HPV de baixo risco HPV de alto risco
Exemplos conhecidos HPV 6 e HPV 11 HPV 16 e HPV 18, entre outros
Principal associação Verrugas anogenitais Alterações celulares e lesões precursoras quando a infecção persiste
Risco de câncer Não estão entre os principais tipos relacionados ao câncer Podem estar associados ao desenvolvimento de determinados cânceres
Infecção pode desaparecer espontaneamente? Sim Sim
Resultado positivo significa câncer? Não Não

O infográfico abaixo ajuda a visualizar a diferença entre os tipos de HPV de baixo e alto risco oncogênico.

Infográfico comparando HPV de baixo risco e HPV de alto risco, incluindo os tipos 6, 11, 16 e 18
Os tipos de HPV apresentam comportamentos diferentes. HPV 6 e 11 estão principalmente associados a verrugas, enquanto HPV 16 e 18 estão entre os tipos de alto risco oncogênico.

Visão do especialista

A classificação entre baixo e alto risco ajuda a orientar o acompanhamento, mas não deve ser utilizada isoladamente para prever o que acontecerá com uma pessoa. O significado clínico depende também da persistência da infecção, da presença de alterações celulares e de outros fatores avaliados pelos profissionais de saúde.

Quais são os sintomas do HPV?

Na maioria das vezes, a infecção por HPV não provoca sintomas perceptíveis. Essa é uma das características mais importantes do vírus e também um dos motivos pelos quais muitas pessoas entram em contato com ele sem saber.

Quando existem manifestações clínicas, uma das mais conhecidas é o aparecimento de verrugas na região genital ou anal. Entretanto, determinados tipos de HPV podem provocar alterações celulares sem produzir verrugas ou qualquer outro sinal visível.

Por isso, tentar identificar HPV apenas observando o próprio corpo não é uma estratégia confiável.

HPV pode não apresentar sintomas?

Sim. Infecções assintomáticas são muito frequentes. A pessoa pode ter HPV sem apresentar dor, coceira, verrugas, corrimento ou qualquer outra alteração perceptível.

Além disso, o vírus pode permanecer sem manifestações clínicas por períodos prolongados. Essa característica torna difícil determinar exatamente quando ocorreu a infecção.

Importante

Não ter verrugas não significa não ter HPV. Muitas infecções permanecem assintomáticas e podem ser identificadas apenas durante avaliações ou estratégias de rastreamento indicadas para determinados grupos.

Como são as verrugas causadas pelo HPV?

As verrugas anogenitais estão entre as manifestações clínicas mais conhecidas do HPV. Elas podem surgir isoladamente ou em grupos e apresentar tamanhos e formatos variados.

Algumas são pequenas e discretas, enquanto outras podem aumentar de tamanho ou formar agrupamentos com aspecto irregular. As lesões podem aparecer na vulva, vagina, colo do útero, pênis, bolsa escrotal, região pubiana, períneo ou região anal, dependendo da área infectada.

Em algumas pessoas, as verrugas não provocam desconforto. Em outras, podem ocorrer coceira, irritação, sensibilidade ou outros sintomas locais.

Os tipos HPV 6 e HPV 11 estão associados à grande maioria das verrugas anogenitais e são classificados como de baixo risco oncogênico.

Entretanto, não é possível determinar com segurança qual tipo de HPV está presente apenas pela aparência de uma lesão.

Atenção

Nem toda verruga, elevação ou alteração na região genital é causada por HPV. Outras condições podem produzir lesões semelhantes. Evite tentar fazer o diagnóstico apenas pela aparência ou utilizar produtos para verrugas comuns na região genital sem orientação profissional.

O que são lesões subclínicas?

Além das verrugas visíveis, o HPV pode estar associado a alterações que não são percebidas a olho nu. Essas manifestações são frequentemente descritas como subclínicas.

Dependendo da localização e do contexto clínico, alterações podem ser identificadas durante exames específicos ou em estratégias de rastreamento.

Esse é um dos motivos pelos quais a ausência de verrugas não permite excluir uma infecção por HPV e também explica a importância do rastreamento do câncer do colo do útero entre as pessoas para as quais ele é recomendado.

HPV em mulheres: quais cuidados são importantes?

O HPV pode infectar pessoas de diferentes sexos. Entretanto, existe atenção especial à infecção em pessoas com colo do útero porque a persistência de determinados tipos oncogênicos está diretamente relacionada ao desenvolvimento da maioria dos casos de câncer do colo do útero.

Isso não significa que toda mulher ou pessoa com colo do útero que apresente HPV desenvolverá câncer. A maioria das infecções é controlada pelo organismo e não evolui para doença grave.

O principal objetivo do rastreamento é identificar situações que merecem acompanhamento antes que alterações importantes evoluam ao longo do tempo.

HPV pode causar alterações no colo do útero?

Sim. Determinados tipos oncogênicos podem infectar células do colo do útero. Quando a infecção persiste, algumas pessoas podem desenvolver alterações celulares precursoras.

Essas alterações não são necessariamente câncer e podem apresentar diferentes graus de gravidade. Quando identificadas adequadamente, podem ser acompanhadas ou tratadas de acordo com sua classificação e com as recomendações da equipe de saúde.

Essa evolução geralmente ocorre ao longo do tempo, razão pela qual o rastreamento organizado representa uma ferramenta tão importante de prevenção do câncer do colo do útero.

Vale lembrar

Um resultado positivo para HPV oncogênico não equivale a diagnóstico de câncer. Ele indica a presença de um tipo viral que merece interpretação e acompanhamento conforme o resultado do exame, a idade, o histórico e as recomendações do programa de rastreamento.

HPV pode ocorrer durante a gravidez?

Sim. Uma pessoa pode ter HPV antes ou durante a gestação. A presença da infecção não significa, por si só, que haverá complicações importantes na gravidez.

Quando existem verrugas, alterações do colo do útero ou resultados de exames que necessitam acompanhamento, a equipe responsável pelo pré-natal pode definir a conduta adequada considerando a fase da gestação e as características individuais.

Gestantes não devem utilizar medicamentos ou substâncias para tratar verrugas genitais por conta própria. Algumas opções terapêuticas podem não ser apropriadas durante a gravidez, tornando a avaliação profissional especialmente importante.

HPV em homens: quais são as manifestações?

Homens também podem adquirir e transmitir HPV. Assim como ocorre em mulheres, a infecção frequentemente não provoca sintomas, e muitas pessoas nunca percebem que tiveram contato com o vírus.

Quando existem manifestações, podem aparecer verrugas ou outras alterações em regiões como pênis, bolsa escrotal, virilha, períneo e região anal.

Determinados tipos oncogênicos também estão relacionados a alguns cânceres que podem afetar homens, incluindo câncer anal, de pênis e de determinadas regiões da orofaringe.

Por isso, considerar o HPV uma questão exclusivamente feminina é incorreto. A prevenção envolve pessoas de diferentes sexos, e a vacinação de meninos e adolescentes do sexo masculino faz parte da estratégia de saúde pública.

Existe exame de rotina para detectar HPV em homens?

Não existe um programa populacional de rastreamento de HPV para homens equivalente ao rastreamento organizado do câncer do colo do útero.

Quando existem verrugas, lesões, sintomas ou condições específicas de maior risco, o profissional de saúde pode realizar avaliação clínica e indicar exames adicionais quando necessário.

Isso também significa que uma pessoa pode ter tido contato com HPV sem nunca receber um resultado laboratorial confirmando a infecção.

Visão do especialista

HPV não é uma infecção exclusiva das mulheres. Homens podem adquirir, transmitir e apresentar doenças relacionadas ao vírus. A vacinação de meninos e meninas ajuda a ampliar a proteção individual e coletiva contra tipos importantes de HPV.

O HPV pode desaparecer sozinho?

Sim. Na maioria das pessoas, o sistema imunológico consegue controlar a infecção pelo HPV espontaneamente ao longo do tempo.

Isso significa que grande parte das infecções deixa de ser detectável sem que seja necessário um medicamento específico para eliminar o vírus.

Esse comportamento ajuda a explicar por que entrar em contato com HPV é muito mais comum do que desenvolver uma doença grave relacionada à infecção.

Entretanto, nem todas as infecções apresentam a mesma evolução. Em uma parcela das pessoas, especialmente quando determinados tipos oncogênicos permanecem presentes, a infecção pode persistir.

Quanto tempo o organismo leva para controlar o HPV?

Não existe um prazo exato aplicável a todas as pessoas. A resposta imunológica varia e depende de diferentes fatores.

De maneira geral, grande parte das infecções é controlada espontaneamente dentro de aproximadamente um a dois anos. O acompanhamento, entretanto, não deve ser baseado apenas na passagem do tempo.

Quando um teste de HPV ou outro exame apresenta alteração, é importante seguir o intervalo de acompanhamento recomendado para aquela situação específica.

Em resumo

A maioria das infecções por HPV é transitória. O organismo frequentemente consegue controlar o vírus sem que ele provoque problemas importantes. A principal preocupação está relacionada às infecções que persistem, especialmente quando envolvem determinados tipos de alto risco oncogênico.

O que significa HPV persistente?

Uma infecção persistente ocorre quando o HPV continua detectável ao longo do tempo em vez de ser controlado pelo organismo.

A persistência de determinados tipos oncogênicos é um dos principais fatores envolvidos no desenvolvimento de alterações celulares precursoras do câncer.

Isso não significa que toda infecção persistente obrigatoriamente evoluirá para câncer. O desenvolvimento de uma doença relacionada ao HPV envolve uma sequência de acontecimentos biológicos e pode ser influenciado por diferentes fatores.

O objetivo do rastreamento é justamente reconhecer situações de maior risco e permitir acompanhamento ou tratamento antes que alterações mais graves se desenvolvam.

O que pode favorecer a persistência da infecção?

Diferentes fatores podem influenciar a capacidade do organismo de controlar o HPV e o risco de persistência da infecção.

Entre os fatores estudados estão:

  • tipo de HPV envolvido;
  • tabagismo;
  • condições que comprometem o sistema imunológico;
  • uso de determinados medicamentos imunossupressores;
  • coinfecções e outras condições clínicas;
  • características individuais da resposta imunológica.

A presença de um fator de risco não significa que a infecção necessariamente persistirá ou que ocorrerá câncer. Esses fatores ajudam a compreender probabilidades e devem ser interpretados dentro do contexto clínico de cada pessoa.

Boa prática

Se um exame identificar HPV oncogênico ou alterações celulares, siga o acompanhamento recomendado mesmo que você não tenha sintomas. A ausência de manifestações não permite avaliar sozinha se a infecção permanece ou se existem alterações que precisam ser investigadas.

Qual é a relação entre HPV e câncer?

A infecção persistente por determinados tipos de HPV de alto risco oncogênico está relacionada ao desenvolvimento de vários tipos de câncer.

A associação mais conhecida ocorre com o câncer do colo do útero, mas o HPV também pode participar do desenvolvimento de câncer anal, de pênis, vulva, vagina e determinadas regiões da orofaringe.

Apesar dessa relação, é fundamental colocar o risco em perspectiva: a maioria das pessoas que entra em contato com HPV não desenvolve câncer.

Para que uma infecção resulte em câncer, geralmente é necessária uma combinação de fatores, incluindo persistência de um tipo oncogênico e desenvolvimento progressivo de alterações celulares ao longo do tempo.

Como uma infecção pode evoluir para alterações celulares?

Quando o organismo controla a infecção, o HPV deixa de ser detectável e nenhuma alteração relevante se desenvolve na maioria dos casos.

Quando determinados tipos oncogênicos persistem, porém, podem ocorrer mudanças nas células infectadas. Algumas dessas alterações podem ser classificadas como lesões precursoras.

Nem toda lesão precursora evolui para câncer. Dependendo do grau da alteração e de outros fatores, algumas podem regredir, enquanto outras necessitam de acompanhamento ou tratamento.

O desenvolvimento de câncer costuma representar o resultado de um processo prolongado e não uma consequência imediata de um resultado positivo para HPV.

O esquema abaixo ajuda a compreender por que a maioria das infecções por HPV não evolui para câncer e por que a persistência merece acompanhamento.

Infográfico mostrando a evolução possível da infecção por HPV, desde o contato com o vírus até controle espontâneo ou persistência e alterações celulares
A maioria das infecções por HPV é controlada espontaneamente. Quando determinados tipos oncogênicos persistem, podem ocorrer alterações celulares que necessitam acompanhamento.

Importante

Um resultado positivo para HPV de alto risco não significa que a pessoa tenha câncer nem que obrigatoriamente desenvolverá a doença. O resultado deve ser interpretado conforme o tipo de exame, os achados associados e o protocolo de acompanhamento recomendado.

HPV e câncer do colo do útero

A infecção persistente por tipos oncogênicos de HPV é considerada a principal causa do câncer do colo do útero.

Os tipos HPV 16 e HPV 18 têm especial relevância por estarem associados a uma parcela importante dos casos da doença. Outros tipos de alto risco também podem estar envolvidos.

O câncer do colo do útero geralmente não surge imediatamente após uma infecção. Em muitas situações, existe um intervalo prolongado entre a persistência viral, o aparecimento de alterações celulares precursoras e uma eventual evolução para câncer invasivo.

Esse intervalo oferece uma oportunidade importante para prevenção. O rastreamento permite identificar pessoas que necessitam de investigação, acompanhamento ou tratamento antes que a doença alcance estágios avançados.

Ter HPV 16 ou HPV 18 significa ter câncer?

Não. Um resultado positivo para HPV 16, HPV 18 ou outro tipo oncogênico indica presença de um vírus associado a maior risco, mas não representa diagnóstico de câncer.

A conduta depende de fatores como o teste realizado, presença ou ausência de alterações adicionais, idade, histórico de exames e protocolo vigente.

Por esse motivo, resultados positivos devem ser acompanhados de acordo com orientação profissional, sem alarmismo e sem negligência.

Visão do especialista

A grande vantagem da prevenção do câncer do colo do útero é que existe uma janela longa entre a infecção inicial e o desenvolvimento de grande parte dos casos de câncer. Vacinação, rastreamento e tratamento adequado de alterações precursoras permitem interromper essa trajetória em muitas situações.

Quais outros cânceres podem estar relacionados ao HPV?

Embora o câncer do colo do útero seja a doença maligna mais conhecida associada ao HPV, determinados tipos oncogênicos também participam do desenvolvimento de outros cânceres.

Entre eles estão:

  • câncer anal;
  • câncer de pênis;
  • câncer de vulva;
  • câncer de vagina;
  • alguns cânceres da orofaringe, região que inclui estruturas da parte posterior da garganta.

A proporção de casos atribuíveis ao HPV varia conforme o tipo de câncer. Por isso, não se deve interpretar a presença do vírus como explicação automática para qualquer tumor localizado nessas regiões.

HPV pode causar câncer de boca ou garganta?

Determinados tipos de HPV de alto risco estão relacionados principalmente a alguns cânceres da orofaringe, que inclui regiões como amígdalas e base da língua.

Isso não significa que toda infecção oral por HPV evoluirá para câncer. Assim como em outras regiões do organismo, grande parte das infecções é controlada espontaneamente.

Alterações persistentes na boca ou garganta, dificuldade para engolir, rouquidão prolongada, nódulos no pescoço ou outros sintomas persistentes devem ser avaliados por profissional de saúde, pois podem ter diversas causas diferentes do HPV.

Atenção

Não atribua automaticamente uma lesão, verruga, dor ou outro sintoma ao HPV. Muitas condições diferentes podem produzir manifestações semelhantes. Alterações persistentes devem ser avaliadas adequadamente para que sua causa seja identificada.

HPV tem cura?

Essa pergunta exige uma distinção importante entre controlar a infecção e tratar as lesões causadas pelo HPV.

Não existe atualmente um medicamento específico capaz de eliminar diretamente o HPV do organismo. Entretanto, na maioria das pessoas, o próprio sistema imunológico controla a infecção espontaneamente até que ela deixe de ser detectável.

Quando existem verrugas ou alterações celulares relacionadas ao HPV, essas manifestações podem ser tratadas de acordo com suas características.

Portanto, dizer simplesmente que “HPV não tem cura” pode transmitir uma ideia equivocada de que todas as pessoas permanecerão infectadas indefinidamente. Da mesma forma, afirmar que existe um medicamento capaz de eliminar o vírus também seria incorreto.

Em resumo

  • Não existe um medicamento específico que elimine diretamente o HPV.
  • Na maioria das pessoas, o sistema imunológico controla espontaneamente a infecção.
  • Verrugas e outras lesões relacionadas ao HPV podem ser tratadas.
  • Algumas infecções por tipos oncogênicos podem persistir e exigir acompanhamento.
  • O desaparecimento de uma lesão não deve ser interpretado automaticamente como garantia de que todo acompanhamento pode ser interrompido.

HPV pode ficar anos no organismo?

O HPV pode permanecer sem manifestações clínicas perceptíveis durante períodos prolongados. Em algumas situações, a infecção pode ser detectada muito tempo depois da exposição inicial.

Essa característica torna difícil estabelecer quando uma pessoa entrou em contato com o vírus. Um diagnóstico atual não permite concluir automaticamente que a transmissão aconteceu recentemente.

Também existem discussões científicas sobre persistência em níveis muito baixos, controle imunológico e possíveis reativações. Na prática clínica, o ponto mais importante para o paciente é que o momento em que o HPV é identificado não permite determinar com segurança quando ocorreu a exposição.

Essa informação é particularmente relevante em relacionamentos, porque a descoberta do vírus não deve ser utilizada isoladamente para inferir infidelidade.

Vale lembrar

O HPV pode permanecer assintomático durante muito tempo. Por isso, geralmente não é possível determinar quando a infecção ocorreu nem identificar com certeza qual parceria foi responsável pela transmissão.

Como é feito o diagnóstico do HPV?

O diagnóstico relacionado ao HPV depende da situação clínica, da região do organismo envolvida e do objetivo da avaliação. Não existe um único exame utilizado da mesma maneira para todas as pessoas.

Quando existem verrugas anogenitais, muitas vezes a avaliação clínica realizada por um profissional de saúde permite identificar características compatíveis com essas lesões. Em outras situações, podem ser necessários exames adicionais.

Quando o objetivo é investigar alterações relacionadas ao colo do útero, podem ser utilizados testes moleculares para HPV, exames citopatológicos e procedimentos complementares conforme os resultados encontrados e as recomendações vigentes.

É importante diferenciar detectar HPV de identificar alterações celulares provocadas pela infecção. Esses objetivos podem envolver exames diferentes.

Vale lembrar

Um teste positivo para HPV não significa diagnóstico de câncer. O resultado indica presença do vírus ou de determinados tipos virais e precisa ser interpretado de acordo com o exame realizado, a idade, o histórico e outros achados clínicos.

Existe exame de sangue para HPV?

Não existe um exame de sangue de rotina utilizado para diagnosticar infecção genital por HPV.

Os testes empregados para detectar o vírus geralmente analisam material obtido de regiões específicas do organismo, como amostras do colo do útero, dependendo da indicação e do método disponível.

Exames de sangue podem ser solicitados durante uma avaliação médica por diversos outros motivos, mas não são o método padrão para confirmar uma infecção genital por HPV.

O exame clínico consegue identificar HPV?

Quando existem verrugas ou determinadas lesões externas, a avaliação clínica pode ser suficiente para levantar ou estabelecer o diagnóstico da manifestação relacionada ao HPV.

Entretanto, muitas infecções são assintomáticas ou subclínicas e não podem ser identificadas simplesmente pela observação da região genital.

Além disso, nem toda lesão genital é causada pelo HPV. Por isso, alterações atípicas, persistentes ou com características incomuns podem exigir investigação complementar.

Qual é a diferença entre Papanicolau e teste de HPV?

Embora sejam frequentemente mencionados juntos, Papanicolau e teste de HPV não são o mesmo exame.

O exame citopatológico, popularmente conhecido como Papanicolau, analisa células coletadas do colo do útero para identificar alterações celulares.

Já os testes moleculares para HPV procuram material genético de determinados tipos do vírus, especialmente os classificados como oncogênicos quando utilizados no contexto do rastreamento do câncer do colo do útero.

Característica Papanicolau Teste molecular de HPV
O que procura? Alterações nas células do colo do útero Material genético de tipos de HPV investigados pelo teste
Detecta diretamente o vírus? Não Sim
Resultado positivo significa câncer? Uma alteração citológica não significa necessariamente câncer Não. Detectar HPV oncogênico não significa ter câncer
Papel no rastreamento Historicamente utilizado como exame primário e ainda importante onde o teste molecular não está disponível e em situações definidas pelos protocolos Passou a ocupar papel central como teste primário no novo modelo brasileiro de rastreamento

Visão do especialista

O teste molecular de HPV identifica a presença de tipos virais de interesse clínico, enquanto a citologia avalia alterações nas células. Entender essa diferença ajuda a evitar a interpretação equivocada de que um teste positivo para HPV equivale a um diagnóstico de câncer.

Como funciona o rastreamento do câncer do colo do útero?

O rastreamento do câncer do colo do útero tem como objetivo identificar pessoas com maior risco de desenvolver alterações importantes e detectar lesões precursoras antes que evoluam para câncer invasivo.

Durante muitos anos, o exame citopatológico foi a principal estratégia utilizada no Brasil. Com a atualização das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, o país iniciou a transição para um modelo no qual o teste molecular para detecção de DNA-HPV oncogênico é utilizado como exame primário de rastreamento.

Essa mudança é relevante porque o teste molecular permite identificar a presença de tipos oncogênicos antes mesmo que determinadas alterações celulares sejam observadas na citologia.

A implantação do novo modelo ocorre de forma progressiva. Por isso, dependendo da região e da estrutura disponível no serviço de saúde, ainda podem existir diferenças na forma como o rastreamento é realizado.

Importante

Não deixe de realizar o rastreamento porque seu serviço de saúde ainda utiliza o exame citopatológico. Durante a implantação progressiva do teste DNA-HPV, o Papanicolau continua tendo papel importante nos locais onde o novo método ainda não está disponível e nas situações previstas pelos protocolos.

Quem deve participar do rastreamento?

De acordo com as recomendações brasileiras atuais para a população geral, o rastreamento é direcionado principalmente a pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual.

Existem situações específicas em que a estratégia pode ser diferente, incluindo pessoas imunossuprimidas, histórico de determinadas alterações, tratamentos prévios ou outras condições clínicas.

Por isso, recomendações individuais podem não seguir exatamente o mesmo intervalo utilizado para a população geral.

Com que frequência o teste DNA-HPV é realizado?

No modelo brasileiro atualizado, quando o teste molecular para HPV oncogênico apresenta resultado negativo e a pessoa se enquadra na população geral do rastreamento, o intervalo recomendado pode chegar a cinco anos.

Esse intervalo não deve ser aplicado automaticamente a todas as situações. Resultados positivos, alterações associadas, imunossupressão, histórico de lesões ou outras condições podem exigir acompanhamento diferente.

O intervalo de cinco anos também não significa que a pessoa deva evitar consultas de saúde durante esse período. O rastreamento do câncer do colo do útero é apenas uma parte do cuidado integral.

O que acontece quando o teste de HPV é positivo?

Um resultado positivo para HPV oncogênico não significa câncer. Ele indica que foi detectado um tipo viral relacionado a maior risco de alterações celulares.

A próxima etapa depende de fatores como o tipo de HPV identificado, resultados de exames complementares, histórico da pessoa e protocolo utilizado pelo serviço de saúde.

Em algumas situações pode ser necessária investigação complementar. Em outras, pode ser recomendado repetir exames após determinado intervalo.

Como os protocolos podem ser atualizados e as condutas variam conforme os achados, a interpretação deve ser feita pelo serviço responsável pelo rastreamento.

Atenção

Não interprete um resultado positivo para HPV oncogênico como diagnóstico de câncer. O objetivo do rastreamento é justamente identificar situações que precisam de acompanhamento antes que uma doença invasiva se desenvolva.

O fluxograma abaixo resume, de maneira educativa, a lógica do rastreamento baseado no teste molecular para HPV.

Fluxograma educativo do rastreamento do câncer do colo do útero com teste DNA-HPV, resultado negativo, resultado positivo e acompanhamento
O teste DNA-HPV passou a ocupar papel central no novo modelo brasileiro de rastreamento do câncer do colo do útero, com acompanhamento definido conforme o resultado e o risco individual.

Boa prática

Guarde os resultados dos exames anteriores e informe seu histórico ao profissional de saúde. A interpretação do rastreamento pode depender não apenas do exame atual, mas também de resultados anteriores e de eventuais tratamentos já realizados.

Como é o tratamento do HPV?

O tratamento relacionado ao HPV depende da manifestação apresentada. Como não existe um medicamento específico capaz de eliminar diretamente o vírus do organismo, as intervenções são direcionadas principalmente às verrugas, lesões precursoras e outras alterações causadas pela infecção.

Em muitas pessoas sem lesões ou outras alterações que necessitem intervenção, não existe um tratamento medicamentoso para “eliminar o HPV”. O acompanhamento é definido conforme a situação clínica e os resultados dos exames.

Quando existem verrugas ou lesões, diferentes métodos podem ser utilizados. A escolha depende da localização, tamanho, quantidade, características das alterações, condições de saúde, gestação, disponibilidade do tratamento e avaliação profissional.

Importante

O tratamento de uma verruga ou lesão não deve ser confundido com a eliminação imediata do vírus. Mesmo após o desaparecimento das manifestações visíveis, pode haver necessidade de acompanhamento conforme a situação clínica.

Como são tratadas as verrugas causadas pelo HPV?

As verrugas anogenitais podem ser tratadas por diferentes métodos, incluindo substâncias aplicadas diretamente sobre as lesões e procedimentos realizados por profissionais de saúde.

Dependendo do caso, podem ser consideradas abordagens químicas, físicas ou cirúrgicas.

Não existe um único tratamento ideal para todas as pessoas. O profissional avalia fatores como número de verrugas, localização, extensão, preferência do paciente, disponibilidade dos métodos, presença de gestação e resposta a tratamentos anteriores.

Algumas verrugas podem desaparecer, outras permanecer e algumas podem reaparecer depois do tratamento.

Por que as verrugas podem voltar?

Os tratamentos disponíveis atuam principalmente sobre as lesões visíveis. Eles não garantem a eliminação imediata de todo o vírus presente nos tecidos.

Por isso, novas verrugas podem surgir após um tratamento aparentemente bem-sucedido, especialmente nos primeiros períodos após a intervenção.

O reaparecimento não significa necessariamente que ocorreu uma nova transmissão sexual.

Atenção

Não aplique ácidos, produtos destinados a verrugas comuns, medicamentos de outra pessoa ou receitas caseiras sobre verrugas genitais ou anais. A pele e as mucosas dessas regiões são sensíveis e o uso inadequado de substâncias pode provocar queimaduras, ferimentos e outras complicações.

Como são tratadas as lesões precursoras?

Alterações celulares relacionadas ao HPV não recebem todas o mesmo tratamento. A conduta depende da região afetada, do grau da lesão, da idade, do histórico clínico e de outros fatores.

Algumas alterações podem ser acompanhadas porque apresentam possibilidade de regressão. Outras podem exigir procedimentos destinados a remover ou destruir o tecido alterado.

No colo do útero, a decisão é baseada nos resultados dos exames e nas recomendações dos protocolos vigentes. O objetivo é tratar lesões com risco relevante de progressão e, ao mesmo tempo, evitar intervenções desnecessárias.

Antibióticos tratam HPV?

Não. Antibióticos são utilizados contra determinadas infecções bacterianas e não eliminam vírus como o HPV.

Se houver outra infecção simultânea, um profissional poderá indicar tratamento específico para ela, mas isso não representa tratamento do HPV.

Existe remédio que elimina o HPV do organismo?

Atualmente não existe um medicamento aprovado capaz de eliminar diretamente o HPV do organismo de forma garantida.

Na maioria das pessoas, a resposta imunológica controla espontaneamente a infecção. Quando existem manifestações clínicas ou alterações celulares, elas podem ser tratadas conforme sua natureza.

Visão do especialista

O objetivo do cuidado não é “caçar o vírus” com medicamentos sem indicação, mas identificar quais pessoas não precisam de intervenção, quais necessitam de acompanhamento e quais apresentam lesões que devem ser tratadas.

Como prevenir o HPV?

Não existe uma única medida capaz de impedir todas as infecções por HPV. A prevenção mais eficaz combina diferentes estratégias.

Entre as principais estão:

  • vacinação contra HPV conforme as recomendações vigentes;
  • uso correto de preservativos;
  • participação no rastreamento do câncer do colo do útero quando indicado;
  • avaliação profissional de verrugas e outras alterações persistentes;
  • acompanhamento adequado de resultados alterados;
  • cuidados gerais com a saúde sexual.

Vacinação e rastreamento cumprem funções diferentes e complementares. A vacina reduz o risco de infecção pelos tipos contemplados, enquanto o rastreamento busca identificar situações relacionadas ao risco de câncer do colo do útero.

Por que a vacina contra HPV é tão importante?

A vacinação é uma das estratégias mais importantes para reduzir a circulação dos tipos de HPV contemplados pela vacina e prevenir doenças relacionadas à infecção.

O benefício tende a ser maior quando a vacinação ocorre antes da exposição ao vírus, razão pela qual o programa de rotina prioriza crianças e adolescentes.

Isso não significa que toda pessoa que já iniciou a vida sexual tenha necessariamente entrado em contato com todos os tipos presentes na vacina. Existem critérios específicos para vacinação de determinados grupos além da faixa etária de rotina.

Vacina contra HPV trata uma infecção existente?

Não. A vacina é uma estratégia preventiva.

Ela não elimina uma infecção por HPV já estabelecida, não faz uma verruga desaparecer e não substitui o tratamento de lesões existentes.

Uma pessoa que já teve contato com HPV, entretanto, pode ainda se beneficiar da vacinação quando estiver dentro dos critérios recomendados, porque a exposição a um tipo não significa necessariamente exposição a todos os tipos contemplados pela vacina.

Vale lembrar

A vacina contra HPV previne novas infecções pelos tipos contemplados, mas não funciona como tratamento para uma infecção ou lesão já existente.

Quem deve tomar a vacina contra HPV?

No Brasil, a vacinação contra HPV faz parte do Programa Nacional de Imunizações e é oferecida de rotina para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

O esquema de rotina utiliza dose única para essa faixa etária, conforme as recomendações atuais do Ministério da Saúde.

Além da vacinação de rotina, existem estratégias de resgate e indicações específicas para determinados grupos, incluindo algumas pessoas imunocomprometidas e outras populações definidas pelo Programa Nacional de Imunizações.

Como critérios, faixas etárias e esquemas podem ser atualizados, pessoas fora da vacinação de rotina devem verificar sua situação em uma unidade de saúde ou consultar as orientações vigentes do Ministério da Saúde.

Grupo Orientação geral
Meninas e meninos de 9 a 14 anos Vacinação de rotina contra HPV em dose única, conforme o calendário nacional vigente.
Adolescentes de 15 a 19 anos sem histórico vacinal Estratégia de resgate com dose única, conforme organização do estado e orientações vigentes do Programa Nacional de Imunizações.
Determinados grupos especiais Podem ter indicação em outras faixas etárias e utilizar esquemas específicos, conforme condição clínica e recomendações vigentes.

Boa prática

Se você não sabe se recebeu a vacina contra HPV ou se completou o esquema indicado para sua condição, consulte sua carteira de vacinação e procure uma unidade de saúde para verificar a necessidade de atualização.

Adultos podem tomar a vacina contra HPV?

A resposta depende da idade, do histórico vacinal e da presença de condições específicas contempladas pelas recomendações vigentes.

A vacinação pública de rotina é direcionada principalmente à faixa etária definida pelo Programa Nacional de Imunizações, mas determinados grupos especiais podem receber a vacina em idades superiores.

Para adultos fora das indicações rotineiras, a decisão deve considerar as recomendações disponíveis e avaliação individual quando necessária.

Quem já teve HPV pode tomar a vacina?

Ter apresentado HPV anteriormente não significa, por si só, que a vacinação deixou de ter qualquer utilidade.

Existem muitos tipos do vírus, e uma pessoa previamente exposta a um deles pode não ter tido contato com outros tipos contemplados pela vacina.

Entretanto, a vacina não elimina a infecção existente e sua indicação deve respeitar os critérios de idade, condição clínica e histórico vacinal.

A vacina contra HPV é segura?

As vacinas contra HPV são utilizadas em programas de imunização em diversos países e passam por monitoramento contínuo de segurança.

Como ocorre com outras vacinas, podem aparecer reações após a aplicação, geralmente leves e transitórias, como dor, vermelhidão ou sensibilidade no local da injeção.

Dúvidas sobre contraindicações, histórico de reações alérgicas ou condições clínicas específicas devem ser discutidas com um profissional de saúde.

Visão do especialista

A vacinação funciona melhor como prevenção antes do contato com os tipos de HPV contemplados pela vacina. Isso explica a prioridade dada à vacinação de crianças e adolescentes antes ou no início do período em que a exposição sexual se torna mais provável.

O infográfico abaixo reúne as principais estratégias utilizadas para reduzir o risco de infecção e de complicações relacionadas ao HPV.

Infográfico sobre prevenção do HPV com vacinação, preservativos, rastreamento e acompanhamento profissional
Vacinação, preservativos, rastreamento quando indicado e acompanhamento adequado atuam de formas complementares na prevenção do HPV e de suas complicações.

Vacinação substitui o rastreamento?

Não. Mesmo pessoas vacinadas que fazem parte da população indicada para rastreamento devem seguir as recomendações vigentes.

A vacina oferece proteção contra tipos importantes de HPV, mas não necessariamente contra todos os tipos oncogênicos capazes de provocar alterações no colo do útero.

Por isso, vacinação e rastreamento são estratégias complementares, e não concorrentes.

Resumo desta etapa

  • O diagnóstico relacionado ao HPV depende da manifestação e do objetivo da avaliação.
  • Papanicolau e teste molecular de HPV analisam aspectos diferentes.
  • O Brasil iniciou a implantação do teste DNA-HPV oncogênico como método primário de rastreamento do câncer do colo do útero.
  • A implantação é progressiva, e o exame citopatológico continua tendo papel importante conforme disponibilidade e protocolos.
  • Um teste positivo para HPV oncogênico não significa câncer.
  • O tratamento atua sobre verrugas e outras lesões; não existe medicamento específico capaz de garantir a eliminação do vírus.
  • A vacinação é uma das principais estratégias preventivas.
  • Preservativos reduzem, mas não eliminam completamente, o risco de transmissão.
  • Vacinação não substitui o rastreamento quando ele é indicado.

HPV pode voltar depois de desaparecer?

Uma pessoa que teve HPV pode voltar a apresentar manifestações relacionadas ao vírus depois de um período sem sinais perceptíveis. Entretanto, isso não significa necessariamente que tenha ocorrido uma nova infecção.

O comportamento do HPV é complexo. Em muitas pessoas, o sistema imunológico controla a infecção até que ela deixe de ser detectável pelos métodos disponíveis. Em outras situações, manifestações clínicas podem reaparecer após determinado período.

Além disso, uma pessoa pode entrar em contato com diferentes tipos de HPV ao longo da vida. Portanto, um novo resultado positivo ou o reaparecimento de uma lesão precisa ser interpretado dentro do contexto clínico e não permite, isoladamente, determinar quando ocorreu a exposição.

As verrugas podem reaparecer?

Sim. Verrugas anogenitais podem voltar mesmo depois de um tratamento aparentemente bem-sucedido.

Os tratamentos disponíveis atuam principalmente sobre as lesões. Eles não funcionam como um medicamento capaz de garantir a eliminação imediata do vírus do organismo.

Se novas verrugas ou outras alterações surgirem depois do tratamento, procure novamente avaliação profissional. Não reutilize automaticamente medicamentos ou produtos empregados anteriormente sem orientação.

Vale lembrar

O reaparecimento de uma verruga ou um novo resultado relacionado ao HPV não permite concluir, por si só, que ocorreu uma exposição sexual recente. O vírus pode permanecer sem manifestações perceptíveis por períodos prolongados.

Ter HPV significa que houve traição?

Não é possível concluir isso apenas pelo diagnóstico de HPV. Essa é uma das dúvidas que mais podem gerar sofrimento desnecessário entre parceiros.

O HPV pode permanecer assintomático ou sem manifestações clínicas durante meses ou anos. Por isso, muitas vezes não é possível determinar quando a infecção foi adquirida nem de qual parceria ela veio.

Uma pessoa pode descobrir HPV durante um relacionamento estável mesmo que a exposição tenha ocorrido muito tempo antes. Da mesma forma, a ausência de sintomas anteriores não permite estabelecer quando o vírus entrou em contato com o organismo.

Portanto, um diagnóstico de HPV, isoladamente, não constitui evidência de infidelidade.

Visão do especialista

Tentar estabelecer quando ou por quem o HPV foi transmitido geralmente não é possível. Do ponto de vista da saúde, costuma ser mais útil concentrar-se no acompanhamento adequado, na prevenção e nas dúvidas atuais do casal do que tentar determinar a origem da infecção.

Meu parceiro ou parceira precisa fazer exames?

Não existe um teste de HPV de rotina indicado da mesma maneira para todas as parcerias sexuais. A necessidade de avaliação depende da presença de sintomas, de lesões, do histórico clínico e das características de cada pessoa.

Quando há verrugas anogenitais ou outras alterações, as parcerias também podem ser orientadas a procurar avaliação profissional. Isso permite esclarecer dúvidas, examinar possíveis lesões e revisar medidas de prevenção.

Pessoas com colo do útero devem manter o rastreamento recomendado de acordo com idade, histórico e diretrizes vigentes, independentemente de uma parceria ter recebido diagnóstico de HPV.

A consulta também pode ser útil para revisar a situação vacinal, conversar sobre prevenção de outras IST e esclarecer dúvidas específicas sobre saúde sexual.

É necessário parar de ter relações sexuais?

Não existe uma única recomendação aplicável a todas as situações. Quando existem verrugas, lesões em tratamento, dor, sangramento ou procedimentos recentes, o profissional responsável pode recomendar cuidados ou abstinência temporária até a recuperação da região.

Fora dessas situações, decisões sobre atividade sexual devem considerar orientação profissional, uso de preservativos e comunicação entre as pessoas envolvidas.

É importante lembrar que preservativos ajudam a reduzir o risco de transmissão, mas não eliminam completamente a possibilidade de contato com HPV.

Preciso contar ao parceiro que tenho HPV?

Conversar sobre saúde sexual pode contribuir para decisões compartilhadas sobre prevenção, vacinação e acompanhamento. Entretanto, a descoberta de HPV não deve ser transformada em motivo para culpa ou acusação, já que geralmente não é possível determinar quando ocorreu a infecção.

Quando existe dificuldade para abordar o assunto, conversar com um profissional de saúde pode ajudar a esclarecer o significado do diagnóstico e orientar quais cuidados realmente são necessários.

Boa prática

Ao conversar sobre HPV com uma parceria, prefira informações objetivas: é uma infecção muito comum, frequentemente assintomática, pode permanecer sem manifestações por longos períodos e um diagnóstico atual não permite determinar quando ocorreu a transmissão.

Quando procurar um profissional de saúde?

Como a maioria das infecções por HPV não provoca sintomas, nem sempre existe uma manifestação que leve a pessoa imediatamente ao consultório. Ainda assim, determinadas situações justificam avaliação profissional.

Procure orientação se perceber:

  • verrugas ou outras lesões na região genital ou anal;
  • alterações persistentes na pele ou mucosas das regiões íntimas;
  • lesões que crescem, mudam de aparência ou não desaparecem;
  • sangramento sem explicação conhecida;
  • dor persistente ou outros sintomas incomuns na região genital ou anal;
  • resultado alterado em exame de rastreamento;
  • dúvidas sobre um resultado positivo para HPV;
  • necessidade de avaliar a indicação da vacina contra HPV;
  • dúvidas sobre prevenção ou outras infecções sexualmente transmissíveis.

Também é importante manter os exames de rastreamento recomendados mesmo na ausência de sintomas, quando a pessoa faz parte da população indicada.

Atenção

Não espere uma verruga aparecer para participar do rastreamento recomendado. Alterações relacionadas a tipos oncogênicos de HPV podem ocorrer sem produzir qualquer manifestação perceptível.

Checklist: como cuidar da prevenção do HPV?

As medidas abaixo ajudam a organizar os principais cuidados relacionados ao HPV e às suas possíveis complicações.

  • ✓ Verifique se sua vacinação contra HPV está atualizada de acordo com sua idade e condição clínica.
  • ✓ Utilize preservativos nas relações sexuais.
  • ✓ Lembre-se de que o preservativo reduz, mas não elimina completamente, o risco de HPV.
  • ✓ Não tente remover verrugas genitais com produtos caseiros ou medicamentos sem orientação.
  • ✓ Procure avaliação profissional diante de verrugas ou outras lesões persistentes.
  • ✓ Se você possui colo do útero e está na população indicada, participe do rastreamento recomendado.
  • ✓ Siga corretamente a investigação indicada após um resultado alterado.
  • ✓ Não interprete um teste positivo para HPV oncogênico como diagnóstico de câncer.
  • ✓ Não associe automaticamente um diagnóstico atual de HPV a uma exposição sexual recente.
  • ✓ Converse com um profissional de saúde quando houver dúvidas sobre vacinação, resultados de exames ou prevenção.

O checklist visual abaixo reúne as principais medidas de prevenção e acompanhamento relacionadas ao HPV.

Checklist visual sobre prevenção do HPV com vacinação, preservativos, rastreamento, acompanhamento e avaliação de lesões
Vacinação, proteção durante as relações sexuais, rastreamento quando indicado e acompanhamento de alterações são pilares importantes do cuidado relacionado ao HPV.

Mitos e verdades sobre HPV

HPV sempre causa sintomas.

Mito. A maioria das infecções não provoca manifestações perceptíveis. Muitas pessoas entram em contato com o vírus sem desenvolver verrugas ou saber que tiveram a infecção.

Quem não tem verrugas não tem HPV.

Mito. Verrugas são apenas uma das possíveis manifestações. Tipos oncogênicos podem permanecer assintomáticos e provocar alterações celulares sem qualquer lesão visível externamente.

HPV afeta apenas mulheres.

Mito. Homens também podem adquirir e transmitir HPV, apresentar verrugas e desenvolver determinadas doenças relacionadas à infecção.

Todo HPV causa câncer.

Mito. Existem diferentes tipos de HPV. Alguns são considerados de baixo risco oncogênico e outros de alto risco. Mesmo entre as infecções por tipos oncogênicos, a maioria não evolui para câncer.

HPV 16 e 18 são tipos de alto risco.

Verdade. HPV 16 e HPV 18 estão entre os tipos oncogênicos de maior importância e apresentam forte associação com o câncer do colo do útero e outros cânceres relacionados ao HPV.

HPV 6 e 11 estão frequentemente relacionados às verrugas genitais.

Verdade. Esses tipos estão associados à grande maioria das verrugas anogenitais e são classificados como de baixo risco oncogênico.

Ter HPV significa ter câncer.

Mito. Um diagnóstico de HPV, inclusive de um tipo oncogênico, não equivale a um diagnóstico de câncer. A maioria das infecções é controlada espontaneamente pelo organismo.

O Papanicolau é um teste direto para HPV.

Mito. O exame citopatológico avalia alterações nas células do colo do útero. Testes moleculares de HPV detectam material genético de tipos do vírus e passaram a ocupar papel central no novo modelo brasileiro de rastreamento.

A vacina pode tratar uma infecção por HPV já existente.

Mito. A vacina tem finalidade preventiva. Ela não elimina uma infecção existente nem funciona como tratamento para verrugas ou lesões já instaladas.

Quem já teve HPV nunca pode tomar a vacina.

Mito. Pessoas com diagnóstico prévio podem receber a vacina quando se enquadram nos critérios de vacinação. A exposição anterior a um tipo não significa necessariamente exposição a todos os tipos contemplados pela vacina.

Preservativos eliminam totalmente o risco de HPV.

Mito. Eles reduzem o risco, mas regiões da pele potencialmente infectadas podem permanecer descobertas. Ainda assim, o uso de preservativos continua sendo uma medida importante de saúde sexual.

Descobrir HPV em um relacionamento significa que houve traição.

Mito. O HPV pode permanecer sem sintomas ou manifestações detectáveis durante longos períodos. Em geral, não é possível determinar quando ocorreu a infecção apenas com base no momento do diagnóstico.

Vacinação e rastreamento podem ser necessários mesmo para quem não tem sintomas.

Verdade. Como o HPV frequentemente é assintomático, estratégias preventivas não devem depender do aparecimento de verrugas ou outras manifestações.

Principais pontos sobre o HPV

  • HPV é uma infecção muito comum e frequentemente assintomática.
  • Existem tipos de baixo e de alto risco oncogênico.
  • HPV 6 e 11 estão principalmente relacionados às verrugas anogenitais.
  • HPV 16 e 18 estão entre os tipos oncogênicos de maior relevância.
  • Ter HPV não significa ter câncer.
  • A persistência de determinados tipos oncogênicos é o principal cenário relacionado ao desenvolvimento de alterações celulares importantes.
  • Vacinação é uma das estratégias mais importantes de prevenção.
  • Preservativos reduzem o risco, mas não impedem todas as transmissões.
  • O rastreamento do câncer do colo do útero deve ser realizado conforme as recomendações vigentes.
  • Um diagnóstico atual de HPV não permite determinar com segurança quando ocorreu a infecção.

Perguntas frequentes sobre HPV (FAQ)

O que é HPV?

HPV é a sigla para papilomavírus humano, um grupo com mais de 200 tipos de vírus capazes de infectar pele e mucosas. Alguns tipos podem causar verrugas e outros estão relacionados a alterações celulares e determinados cânceres.

Como se pega HPV?

A principal forma de transmissão é pelo contato íntimo e sexual com pele ou mucosa infectada. A transmissão pode ocorrer mesmo sem penetração e mesmo quando a pessoa não apresenta verrugas ou outros sintomas.

HPV tem cura?

Na maioria das pessoas, o sistema imunológico controla espontaneamente a infecção até que ela deixe de ser detectável. Não existe, porém, um medicamento específico capaz de eliminar diretamente o HPV do organismo. As verrugas e outras lesões relacionadas ao vírus podem ser tratadas.

HPV causa câncer?

Alguns tipos de alto risco oncogênico estão relacionados a determinados cânceres, especialmente quando a infecção persiste por longo período. Ter HPV, entretanto, não significa que a pessoa desenvolverá câncer.

HPV 16 e 18 são perigosos?

Eles são classificados como tipos de alto risco oncogênico e têm forte associação com o câncer do colo do útero e outros cânceres relacionados ao HPV. Um resultado positivo, porém, não significa diagnóstico de câncer e deve ser acompanhado conforme orientação profissional.

HPV 6 e 11 causam câncer?

HPV 6 e 11 são classificados como tipos de baixo risco oncogênico e estão principalmente associados às verrugas anogenitais.

HPV pode ficar anos sem aparecer?

Sim. A infecção pode permanecer sem manifestações clínicas perceptíveis por períodos prolongados. Por isso, geralmente não é possível determinar quando ocorreu a transmissão apenas pelo momento em que o HPV foi identificado.

É possível ter HPV sem verrugas?

Sim. Essa situação é muito comum. A maioria das infecções por HPV não provoca sintomas perceptíveis.

HPV aparece no exame de sangue?

Os exames utilizados para investigação e rastreamento do HPV não se baseiam em um exame de sangue de rotina. Dependendo da situação, podem ser utilizados avaliação clínica, testes moleculares em amostras específicas e exames para investigação de alterações celulares ou lesões.

Papanicolau detecta HPV?

O Papanicolau não é um teste direto para detectar o vírus. Ele avalia alterações nas células do colo do útero. Os testes moleculares de DNA-HPV procuram material genético de tipos oncogênicos.

Quem tem HPV pode ter relações sexuais?

A orientação depende da situação clínica. Pessoas com lesões em tratamento, dor, sangramento ou recuperação de procedimentos podem receber recomendações temporárias específicas. Preservativos ajudam a reduzir o risco de transmissão, embora não ofereçam proteção completa contra HPV.

Quem já teve HPV pode pegar novamente?

Uma pessoa pode entrar em contato com diferentes tipos de HPV ao longo da vida. Além disso, o reaparecimento de manifestações não permite concluir automaticamente que ocorreu uma nova exposição.

Quem já teve HPV pode tomar a vacina?

Sim, quando estiver dentro dos critérios de elegibilidade para vacinação. A vacina não trata uma infecção existente, mas pode oferecer proteção preventiva contra tipos contemplados aos quais a pessoa ainda não tenha sido exposta.

A vacina contra HPV é apenas para meninas?

Não. No calendário brasileiro, meninos e meninas fazem parte da vacinação de rotina na faixa etária recomendada, além de existirem indicações para determinados grupos especiais.

Preservativo protege contra HPV?

Ajuda a reduzir o risco, mas não oferece proteção completa porque áreas potencialmente infectadas podem permanecer descobertas.

Ter HPV durante um relacionamento comprova traição?

Não. O vírus pode permanecer assintomático por períodos prolongados e, na maioria das situações, não é possível determinar quando ocorreu a transmissão com base apenas no diagnóstico atual.

Quando devo procurar atendimento?

Procure avaliação diante de verrugas ou outras lesões genitais ou anais, alterações persistentes, resultados de rastreamento que necessitem investigação ou dúvidas sobre vacinação e prevenção. Pessoas que fazem parte da população indicada para rastreamento devem participar do programa mesmo sem sintomas.

Conclusão

O HPV é uma infecção extremamente comum e, na maioria das pessoas, não provoca sintomas nem evolui para problemas graves. Compreender essa característica é importante para evitar tanto a negligência quanto o medo excessivo diante de um diagnóstico.

Existem diferentes tipos de HPV. Alguns estão principalmente associados a verrugas anogenitais, enquanto determinados tipos de alto risco oncogênico podem provocar alterações celulares quando a infecção persiste ao longo do tempo.

Mesmo nesses casos, ter HPV não significa ter câncer. A maioria das infecções é controlada espontaneamente pelo organismo, e o desenvolvimento das complicações mais importantes costuma depender da persistência viral e de alterações celulares que podem ser identificadas durante o acompanhamento adequado.

Vacinação, uso de preservativos, rastreamento do câncer do colo do útero quando indicado e avaliação profissional diante de lesões ou resultados alterados são estratégias complementares de cuidado.

Também é importante lembrar que um diagnóstico atual de HPV geralmente não permite determinar quando ocorreu a transmissão. Por isso, a presença do vírus não deve ser utilizada isoladamente para estabelecer conclusões sobre relacionamentos ou infidelidade.

Informação confiável, prevenção e acompanhamento adequado permitem lidar com o HPV de maneira mais segura, sem culpa ou estigma. Diante de verrugas, alterações persistentes ou dúvidas sobre resultados de exames, vacinação ou tratamento, procure orientação de um profissional de saúde.

Continue aprendendo


Referências científicas e institucionais

  • Ministério da Saúde. HPV — Papilomavírus Humano. Informações sobre transmissão, manifestações, prevenção, diagnóstico, tratamento e vacinação.
  • Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação 2026 e orientações do Programa Nacional de Imunizações para vacinação contra HPV.
  • Ministério da Saúde. Diretrizes e informações sobre o rastreamento do câncer do colo do útero com teste molecular para DNA-HPV oncogênico.
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero.
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Informações técnicas sobre câncer do colo do útero, prevenção e detecção precoce.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Human papillomavirus and cancer.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Recomendações e materiais técnicos sobre vacinação contra o papilomavírus humano.
  • International Agency for Research on Cancer (IARC). Human papillomaviruses and HPV-related cancers.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). About Genital HPV Infection.
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